sexta-feira, 18 de abril de 2008

JOYCE MANSOUR: GRITOS E DILACERAÇÕES II


Em português, pouquíssimas traduções de sua obra. Alguns poemas esparsos na web e nos livros: Poesia Érotica em Tradução (José Paulo Paes); Arcanos da Poesia Surrealista ( José Pierre e Jean Schuster. Tradução Antônio Houaiss); e Júlio César uma História Nociva (tradução: Aníbal Fernandes).


As maquinações cegas de tuas mãos
Em meus seios trêmulos
Os lentos movimentos de tua língua paralisada
Em minhas orelhas patéticas
Toda minha beleza afogada em teus olhos sem pupilas
A morte em teu ventre comendo meu cérebro
Tudo isso faz de mim uma moça muito estranha.

de Cris – 1953

Convide-me para passar a noite em sua boca
Conte-me sobre a jovialidade dos rios
Aperte minha língua contra seu olho de vidro
Dê-me sua perna como alento
E depois durmamos irmão de meu irmão
Pois nossos beijos morrem mais rápido que a noite

de Déchirures – 1955

Que phallus tocará o sino
No dia em que dormirei sob uma tampa de chumbo
Derretida em meu medo
Como azeitona no frasco
Fará um frio metálico e feio
Não farei mais amor em uma banheira esmaltada
Não farei mais amor entre parênteses
Nem entre os lábios javaneses de uma grama de primavera
Exsurderarei a morte como uma umidade amante
Delimitada sitiada pelas visões de outubro
Encolherei-me enfim na lama


de Faire signe au machiniste – 1975

Tradução : Roberto Bessa

O meu riso vai alto,
Mais alto que os chapéus dos cardeais
Mais alto que a esperança
Os meus seios riem quando o sol brilha,
Apesar dos meus fatos apesar do meu noivo.
Feia que sou, sou feliz.
Deus e os vampiros
Amam-me."

Tradução: Mário Cesariny

Um comentário:

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