quarta-feira, 17 de outubro de 2007

PANTEÃO DA ORDEM DOS MANEQUINS OBSEDANTES

Os manequins mais complexos da intempérie procuram o ponto de epifania nas infinitas máscaras do consumo. Superposição de cinqüenta e nove realidades numa posição desconfortável. Homem-mapeado, mulher-sem-espelho, criança-quase, família-monstruário deslizando pelo shopping: bonecos de um mundo inflável, infinitamente enfeitados em bizarro poente nos bicos das lojas de departamento. São carregados, pelas autoridades competentes, de qualquer forma ou de forma quadrada. Fingem sentados, às vezes, que estão dentro da igreja (uma das realidades) e talvez observem o silêncio de cada um contra todos os silêncios, ou, quem sabe, o silêncio de todos na boca tardia de cada um. O certo é que, todos estão devidamente afogados na acidez cotidiana dos grandes espaços; todos estão aos pés do todo-silencioso cujo testemunho os faz tremer calafrios; estão todos nas mãos de Moneda cujo cheiro os faz sorrir desavergonhadamente.Corpos inteiros ou pela metade da existência plastificada; completamente desprovidos de intimidade, mas completos no ritmo do bate-estaca.

2 comentários:

Contos e afins - Luciane Silva disse...

Adorei teus textos e blog. Coloquei-o na minha lista mor! Abraço.

Contos e afins - Luciane Silva disse...

Tem uma colagem tua- aquela em que há uma mulher de bronze com asas, em frente a uma outra nua, que tem tudo a ver com meu conto Relato D´Alma. Lindo teu trabalho!